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AH, MOLEQUE!
Por Tatiana Contreiras (Jornal O Dia)
Rodriguinho se lança em carreira solo dizendo que Travessos é mais dele do que de todo mundo que ficou e exibindo corpinho malhado no encarte
Rodriguinho diz que nunca pensou em sair dos Travessos. Mas com o tempo, a situação se tornou insustentável. O resultado da separação (apesar de tudo, amigável, ele garante) está nas lojas: em seu primeiro CD solo, o cantor bota as manguinhas de fora – e não só no sentido figurado. Braços malhados à mostra, ele ainda aproveita para mandar seu recado: em Eu, uma das faixas do CD que leva seu nome, Rodriguinho diz que gostem ou não, terão que aturá-lo. E que se nem Cristo agradou a todos, não será ele que agradará.
“Sou muito esquentado. Às vezes, peco por isso”, diz o cantor, que aos 26 anos até garante que está mais maduro. “Estou mais tranqüilo. Se fosse em outra época falaria muito mais”, completa. Por ‘falaria muito mais’ entenda-se responder às críticas, o que acabou virando um samba-rap no CD. “Essa música (Eu) é um recado. Houve um mal-entendido, falaram que eu não gostava de samba. Fiz a música para falar que não era nada disso. Tanto que gravei um disco de samba, para falar que gosto de tudo, e que se falarem mal de mim não vou ficar quieto”, parte para cima.
A novela da saída do grupo rendeu. Depois de brigar com o empresário, Rodriguinho diz que chegou à conclusão de que tinha que aceitar a política de trabalho ou pular fora. “Não tinha vontade de sair, fui eu que fundei os Travessos. Não é para ser pretensioso, mas o grupo é mais meu que de todo mundo que está ali”, diz, sem rodeios.
“Não acredito que tenha sido um baque para eles, que sabiam do que estava acontecendo e que isso (a saída) poderia acontecer”, completa o cantor, acrescentando que não saiu brigado com os ex-companheiros: “Às vezes converso com o Chorão e o Edmílson. Com os outros perdi contato”.
Assim como antes, Rodriguinho solta a voz em canções românticas, mas aproveita a parceria com o irmão, o rapper Dan, para pôr sua cara no CD. “Agora posso falar do que eu quiser e como quiser. Posso mostrar eu mesmo, por mais que as pessoas se choquem”.
E mostrar ele mesmo inclui exibir o visual, turbinado com horas e horas de malhação. “Continuo no pique total”, diz Rodriguinho, que mesmo assim não se acha o mais bonito dos pagodeiros: “Seria muita pretensão falar isso... Mas me cuido bastante. Se houvesse um troféu, teria coragem de me inscrever”.
EMPREGO. “Já encarava os Travessos como uma firma, um trabalho do qual não precisava sair e que conseguiria manter com qualquer outra coisa que eu quisesse”.
CD. Influenciado até pela “atitude do hip hop”, o cantor diz que tentou misturar ritmos. “Misturei bastante coisa com hip hop e rap, mas não deixa de ser um disco de samba”.
AMIGOS. Oscar Tintel, do Br’oZ, compôs com Rodriguinho. “Onde ele chegava falava de mim, me imitava. Achei legal um homem falar na TV que gosta de outro homem, na amizade, claro”, conta.
TOM CAPONE. “Foi um dos maiores responsáveis pela minha carreira solo. Sou muito grato a ele”, diz Rodriguinho. Tom era diretor artístico da Warner e morreu num acidente de moto, mês passado.